simplesmente delícia

Arquivo de outubro de 2008

31 de outubro de 2008

Não me lembro bem onde começaram, nem como surgiram, mas essas “barrinhas” fazem parte do meu repertório há muitos anos. Elas também não têm nome: são conhecidas apenas como “barrinhas”. Às vezes é “barrinha da Mana” às vezes é “barrinha da mamãe”, outras vezes é “aquela-tua-barrinha”. Não consigo pensar em outro nome! Portanto vai ser só barrinha mesmo…

São 3 camadas: a base de massa doce, o recheio cremoso e a cobertura de açúcar e manteiga, cada uma com uma textura diferente. No recheio, dê vazão a sua imaginação: misture vários tipos de nozes (avelãs, castanhas-do-pará, nozes, pecans, amendoins sem sal), mais ou menos chocolate, ou 2 tipos de chocolate. E não se esqueça de deixar a massa esfriar completamente antes de prosseguir com a próxima etapa.

No mesmo tema já que quem pôs a mão na massa nessa receita foi meu filho, o Wall Street Journal dessa semana mostra um vídeo relatando a importância de incluir as crianças na preparação da comida como forma deles aprenderem a comer melhor (e diminuir a crescente taxa de obesidade em crianças). Não deixe de fazer as crianças participarem sempre, pois só assim eles passam a entender e eventualmente fazer escolhas mais saudáveis. Porem mantenha-os sempre longe do fogo e longe de facas !

  • ingredientes

  • massa:
  • 1 copo de farinha
  • ¼ copo de açúcar
  • ½ copo de manteiga (ou 110 gramas), à temperatura ambiente
  • recheio:
  • 1 e ¼ copo de biscoitos bem picados (qualquer biscoito doce sem recheio serve; eu prefiro os mais simples)
  • ¾ copo de chocolate meio-amargo, picado
  • ¾ copo de nozes picadas
  • 1 ½ colher de sobremesa de fermento em pó
  • 2 pitadas de sal
  • 2 latas de leite condensado
  • cobertura
  • 1 ½ copo de açúcar de confeiteiro
  • ½ copo de manteiga (ou 110 gramas), à temperatura ambiente
  • 1 colher sobremesa de arôma de baunilha
  • modo de preparo

  • 1. Pré-aqueça o forno a 180º C. Misture os ingredientes da massa com um garfo ou com os dedos. Ponha a massa num tabuleiro de 35 cm x 24 cm. Com os dedos, espalhe a massa até forrar por completo o tabuleiro. Leve ao forno por 10-12 minutos até a massa ficar ligeiramente dourada. Retire do forno e deixe esfriar por pelo menos 10 minutos antes de pôr o recheio.
  • 2. Enquanto a massa assa, misture todos os ingredientes do recheio numa vasilha. Reserve.
  • 3. Quando a massa, já assada, estiver esfriado, ponha o creme do recheio e leve ao forno novamente por aproximadamente 35 minutos ou até ficar dourado. Deixe esfriar completamente antes de prosseguir.
  • 4. Passe uma faca entre as bordas da massa e do tabuleiro para quebrar qualquer pedaço do recheio que tenha caramelizado junto ao tabuleiro. Com ajuda de uma tabua, vire a massa numa outra superfície e re-vire ela de cabeça pra cima (com ajuda da tabua). Se você ficar com receio de quebrar a massa fazendo isso, deixe assim mesmo e prossiga com a cobertura. Você pode cortar as barrinhas já com a cobertura no tabuleiro mesmo !
  • 5. Misture todos os ingredientes da cobertura. Com um garfo, ou mesmo com os dedos,   espalhe bem o creme de manteiga para cobrir toda a superfície da massa.  Se quiser, use um garfo para desenhar “ondas” no creme de manteiga. Parta em quadrados.

29 de outubro de 2008

Por favor, eu lhes peço encarecidamente!! Não deixe a má impressão quase generalizada que se tem do pepino afastar você dessa receita!! Prometo que se fizer  essa ultima tentativa com esse legume, você vai querer ser  Presidente-Honorario do Fã Clube do Pepino !!!

Bem, essa é a primeira receita que estou fazendo do meu ultimo-amigo-de-infância, o livro do Ottolenghi. Não é a melhor nem a “que eu mais queria fazer” mas eu tinha quase todos os ingredientes em casa - fora o chilli, que não temos igual aqui no Rio, entao subsituí por pimentões assados apesar de não dar o toque picante. Da próxima vez vou juntar tambem uns pedacinhos de pimenta dedo-de-moça. Uma dica: como o pepino dá muita água, ela fica melhor feita na hora. Ou entao, prepare tudo e deixe o pepino separado do molho, escorrendo numa peneira. Na ultima hora é so misturar tudo delicadamente.

 ingredientes

  • 3 pepinos-japonês (aproximadamente 250 grs)
  • 1 pimentão vermelho, assado (eu usei pimentões assados, em conserva)
  • 2 colheres de sopa de coentro picado
  • 30 ml de vinagre de arroz
  • 60 ml de óleo de castanha do Pará
  • 1 colher de sopa de sementes de papoula
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • Sal e pimenta a gosto
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  • modo de preparo

  • 1. Lave os pepinos e corte as pontinhas. Corte os pepinos na diagonal, em rodelas de menos de 1 cms de espessura. Ponha numa vasilha. Corte  os pimentões em laminas finas e misture delicadamente aos pepinos fatiados.
  • 2. Numa vasilha, misture todos os outros ingredientes do molho.
  • 3. Misture com carinho o molho aos pepinos e ajuste o sal e o açúcar conforme a qualidade dos pepinos. O sabor é agri-doce, quase como um picles. Sirva imediatamente.
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28 de outubro de 2008

Nada como a volta à rotina e às discussões de sempre. E melhor que isso, nada como uma discussão saudável sobre qual o melhor tipo de massa para uma torta salgada. Aqui em casa, meus filhos de dividem em 2 facções: massa sablée para meu filho (mais usada para quiches em geral), e a massa Phyllo para minha filha. Eu fico no meio tentando apaziguar os ânimos que podem esquentar rápido demais nessa fase… É claro que cada tipo de massa tem atrativos e inconvenientes. Mas sem duvida, a textura de cada uma é a maior diferença: enquanto a massa brisée derrete na boca, a massa Phyllo tem um crocante extremamente sedutor. E quando usada com recheios mais úmidos, ela se mantém seca por mais tempo, assim a massa não fica molhada com acontece muito em algumas quiches depois de um tempo fora do forno. Nessa torta, o crocante da massa Phyllo contrasta perfeitamente com o recheio, bem leve, de alho poró e camarões.

Essa massa é de fácil manuseio porem tem que se respeitar uma regraa: ela resseca muito rápido, então enquanto manuseia uma folha, procure manter as outras cobertas por um pano umedecido.

 

  • ingredientes

  • 1 caixa de massa phyllo (congelada, encontra-se em bons supermercados)
  • 300 gramas de camarão limpos e sem casca
  • 5 alhos- poró
  • 1 laranja
  • 50 ml de vinho branco
  • 60 gramas de manteiga
  • 300 gramas de creme de leite fresco
  • 2 ovos + 2 gemas
  • Sal e pimenta a gosto
  • modo de preparo

  • 1. Deixe os camarões no suco de laranja e no vinho branco marinando por 20 minutos. Lave os alhos-porós e corte as folhas verdes. Descarte as partes verdes ou use para fazer caldo de legumes. Corte as partes brancas em rodelas finas e refogue em 20 gramas de manteiga. Tire do fogo e deixe esfriar.
  • 2. Pré-aqueça o forno a 210° C. Derreta o resto da manteiga numa panelinha e pincele um pouco em uma forma de aproximadamente 24 cm.
  • 3. Escorra os camarões e reserve o liquido. Numa panelinha, ferva esse líquido da marinada (vinho+suco de laranja) em fogo alto ate diminuir de volume em 2/3. Deixe esfriar.
  • 4. Separadamente, numa tigela, bata levemente os ovos e as gemas com o creme de leite, o sal e a pimenta a gosto. Adicione o alho-poro, o liquido da marinada e os camarões.  Reserve enquanto prepara a forma com a massa Phyllo.
  • 5. Abra a massa Phyllo com cuidado. Pegue uma folha de cada vez, pincele manteiga derretida em cada folha, e forre a forma, sobrepondo cada uma, como um leque. Deixe as folhas caírem um pouco para fora. Enquanto trabalha com uma folha, deixe as outras cobertas por um pano umedecido pois a Phyllo resseca muito rápido e fica impossível de manusear.
  • 6. Quando a forma estiver pronta, ponha o creme de camarões. Dobre as pontas que tiverem sobrado para fora por cima, como um envelope. Leve ao forno até dourar, aproximadamente 25 minutos. Sirva com uma salada verde ou uma salada de tomates regada com um fio de azeite (ou encharcada com vinagre balsâmico como prefere minha adorável filha..)

25 de outubro de 2008

Bem, queria primeiro me desculpar pelo sumiço. Tinha prometido postar durante a minha viagem, mas não consegui. Não vou nem tentar explicar porque minha frustração foi punição suficiente.

Começamos em Londres e logo no primeiro dia fomos tomar café da manha num lugar delicioso. O Ottolenghi é um desses lugares que me deixam sem ar. Não sabia pra onde olhar. Os restaurantes (são 4 na cidade) são todos brancos para a comida aparecer com toda sua força. São saladas e doces expostos como uma explosão de cores e perfumes, em cima de bancadas brancas, prontos para serem embalados e levados pra casa.

O forte do Ottolenghi é o “take away”, mas em todos os restaurantes há alguns lugares para sentar se a fome for grande demais! O maior restaurante, o da Upper Street serve um café da manha delicioso com pães feitos em casa (um dos pontos fortes da casa), geléias idem, perfeitos “cinnamon toasts” com creme fresco e frutas vermelhas, salmão defumado com um levíssimo creme azedo, enfim, tudo perfeito. Os doces são um caso a parte.Tive que fazer um enorme esforço para voltar lá (inserir aqui risos irônicos) e levar  alguns para experimentar e poder fotografar na calma do meu quarto, para vocês claro. Não podia fazer de outra forma, certo (mais risos irônicos aqui)?? Comprei também o livro que vou começar a explorar assim que humanamente possível.

No dia 13 tive o privilegio de participar da inauguração da exposição do artista brasileiro Cildo Meireles na TATE Modern. È a primeira retrospectiva de um artista brasileiro nessa importantíssima instituição e foi realmente uma noite linda. Que orgulho ver o catálogo do nosso Cildo ao lado do incrível Francis Bacon, cuja exposição brilha na TATE Britain.

E falando em arte, foi após ir passear na Wallace Collection que fomos almoçar no La Fromagerie (2-6 Moxon Street) uma casa super charmosa, cheia de bossa especializada em queijos, fornecedora inclusive dos melhores restaurantes da cidade. No fundo da loja tem um pequeno bistrô que serve um almoço caprichado. A sopa de alcachofras estava uma jóia.

Terminamos a semana em Londres com um jantar no Michael Moore, um pequeno e delicioso restaurante em Marylebone, onde comi um carneiro com creme de batatas e baunilha que estava, como diria meu pai, supimpa.

E como um passe de mágica, o Eurostar nos deixou bem no meio de Paris. 

Em Paris, as coisas ficaram ainda mais sérias. A lista de coisas a fazer, comer, beber, comprar era vergonhosa. Mas vou poupar vocês dos detalhes de como, por exemplo, atravessei a cidade para comprar a manteiga Bordier, que muitos consideram A MELHOR (na França, manteiga é um assunto seriíssimo!!). Essa manteiga é a escolhida para ser servida nas mesas de chefes como Joel Robuchon, Alain Passard e Alain Ducasse. Ela é tão especial (comprei no Da Rosa, mas ela é encontrada também no Marché St Germain e outras épiceries finas) que pode se comida com uma colher, mas acompanha claro, divinamente uma baguette tradition fresquinha). Outra manteiga preferida dos chefes é a La Viette (o Pierre Hermé é fã) que é servida no restaurante do Pierre Gagnaire, o GAYA (44 Rue du Bac), onde fomos jantar após visitar a exposição da Coleção Berardo que está pertinho no Musee du Luxembourg.  Alias, o amuse-bouche era um incrível romance entre a couve-flor e o atum, levíssimo, uma nuvem de creme. Um jantar impecável, com serviço jovem e atencioso, e peixes e coquilles Saint-Jacques regados a um delicioso Sancerre. Que noite.

Atravessando o jardim do Luxembourg numa linda tarde de outono parisiense, indo comprar o pirulito de chocolate com caramelo de manteiga salgada do chocolatier Jean-Paul Hévin (3, rue Vavin), lembrei de vocês e resolvi fazer mais um esforço (risos irônicos aqui de novo) e parar no Pierre Hermé da Rue Bonaparte (nº 72) para provar sua ultima inspiração: sobremesas com wasabi (o tempero em pasta, verde,bem apimentado, muito usada na culinária japonesa). Escolhi os macarons, e não me arrependi. Foi sentada num banco do jardim, vendo as crianças brincando ao sair da escola que mais uma vez vi a genialidade do chefe. O wasabi é um perfume, doce, distante, mas surpreendentemente presente. No meio do macaron, um pequeno pedaço de gelée de pamplemousse. Nada a dizer, senão, comme d’habitude parfait .

Também não podia deixar de passar na G. Detou (58 Rue Tiquetonne) e na IZRAEL (30, Rue François Miron), que são um mundo de especiarias, condimentos incríveis, azeites, vinagres, frutas secas (pistaches maravilhosos), chocolates em todas as concentrações imagináveis etc.. Dessa vez descobri que nas boas essências puras de baunilha, pode haver concentração da fava: comprei a de 400 Gm de baunilha por litro, a outra opção era 200 Gr/litro. O preço é bem salgado, mas por outro lado, o produto é super concentrado e só requer uma pequena quantidade. No dia anterior  a nossa volta, fomos almoçar no Racines (8, Passage des Panoramas), restaurante pequeno e informal do Pierre Jancou. Ali ele serve uma cozinha com produtos de primeiríssima qualidade (legumes e verduras vêm do potager do Alain Passard, chefe do exclusivo L’Arpege). Sua cave é conhecida por seus vinhos “orgânicos” (basicamente, sem SO2). Tomamos um delicioso Vitriol. Na minha entrada de coquilles Saint-Jacques, havia uma finíssima fatia de lardo de Colonnata, um bacon da Toscana, marinado por 6 a 8 meses em especiarias, realmente maravilhoso. Esse bacon também é servido em pequenas tábuas como aperitivo. As fatias são cortadas em uma maquina que as deixa finas como folhas de papel, assim só se tem o perfume do bacon.  Atençao a torta de maçã com creme de amendoas na sobremesa: a massa folhada estava absolument delicieuse. As fotos não fazem jus ao local nem a comida: estava com a lente da maquina errada o que me atrapalhou durante toda a viagem.

Bem, minha saideira foi uma ultima religieuse au café, minha sobremesa preferida. Confesso que troco qualquer coisa por uma dessas: começo tirando o choux de cima, aí como os pedacinhos de creme de manteiga que enfeitam o seu contorno, e por fim o choux grande, cheio de recheio de café… Minha Madeleine…

9 de outubro de 2008

Aqui em casa existe um dilema sempre: suspiros brancos ou de chocolate. Eu confesso que considero esse suspiro de cacau e amêndoas perfeito pra mim. Ele acompanhando uma bola de sorvete então, é nirvana na certa. Nesse suspiro, o tempo de cozimento e a forma são cruciais para seu sucesso. O fato de ser cozido em duas etapas, faz com que ele fique crocante por fora e deliciosamente macio por dentro. Essa receita faz parte do repertorio da grande Dorie Greenspan, que já escreveu livros com grandes chefs como Pierre Hermé, Julia Child e Daniel Boulud.  Mas vamos direto ao assunto:

  •  ingredientes

  • 1 copo de açúcar de confeiteiro (Glaçucar)
  • 1/3 de copo de amêndoas bem trituradas
  • ¼ copo de cacau em pó
  • 4 claras de ovos
  • 1 pitada de sal
  • ½ copo de açúcar (comum mesmo)
  • 1/3 copo de chocolate amargo bem picado (eu uso o chocolate a 60% de cacau) OU a mesma quantidade de coco ralado
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  • modo de preparo

  • 1. Pré-aqueça o forno a 150º C. Forre um tabuleiro com papel manteiga
  • 2. Numa vasilha, peneire o açúcar de confeiteiro ,o cacau e as amendoas trituradas. Reserve.
  • 3. Na vasilha da batedeira, junte o açúcar (comum), o sal, e as claras. Ponha a vasilha em banho-maria pra aquecer as claras e o açúcar: a vasilha não deve tocar a água fervente. Aqueça até 50ºC. Ponha o dedo nas claras e quando ficar quase insuportável, está pronto. Tire do banho-maria e bata as claras na batedeira em velocidade alta, até ficarem firmes e brilhosas.
  • 3. Agora a parte delicada. Misture delicadamente o cacau, o açúcar e as amendoas às claras em neve, levantando a massa de baixo para cima com uma espatula grande. Haverá uma perda de volume da massa, mas tente fazer tudo bem rápido para não prejudicar o suspiro.
  • 4. Adicione o chocolate picado e misture rapidamente.
  • 5. Com uma colher, faça bolinhos de suspiro com um espaçamento entre cada um. Asse por 10 minutos. Após os 10 minutos, reduza a temperatura do forno para 100º C e asse por mais 1 hora. Retire do forno, deixe esfriar, e guarde numa vasilha bem fechada (para não ficarem moles com a umidade)
  • Se o seu forno nao tiver uma teperatura tão baixa quanto 150C, deixe em 150C mesmo e mantenha a porta do forno entre-aberta com uma colher de pau (para que o forno fique com a teperatura mais baixa).
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Nada como uma excelente desculpa para viajar não?? Então com um convite irrecusável, fiz as minhas malas e estou de partida por uns dias. Não deixe de dar uma olhada por aqui pois estou contando com a boa vontade da minha querida internet para postar novidades, comentários , curiosidades etc e tal  

 

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