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20 de julho de 2011

“Ajouter deux lettres à Paris: c’est le Paradis” - Jules Renard (1864-1919)

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No Parc André Citroen, aonde um pequeno balão sobe a 150 metros de altitude para uma linda e diferente vista da cidade. Outra vista que eu adoro muitas vezes menosprezada em prol a Torre Eiffel, é do topo do Arco do Triunfo.  E os eternos ‘manèges’ que pipocam pela cidade e continuam a fazer a alegria, antes dos meus filhos (mais preocupados em amarrar seus  cadeados nas grades do Pont des Arts), e agora dos sobrinhos.

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Já deve ser de domínio publico que meu doce preferido é a Religieuse de café. Acho que conheço todas as boas (e péssimas) versões em Paris: dos grandes patissiers as pequenas pâtisseries de bairro, nenhum me escapa. Sou uma expert. E os mexilhões são do restaurante preferido dos filhos, o Léon de Bruxelles. Assim como para mim Paris é inconcebível sem Religieuse au café, para eles Paris tem que ter Léon e seus mexilhões.

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Berthillon, uma lenda, que justifica o passeio na Ile Saint-Louis por uma noite quente de verão.

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  • A Patisserie des Rêves, onde o Philippe Conticini faz uma linda re-leitura dos grandes clássicos franceses, incluindo o melhor Paris-Brest. Seguindo ordens precisas da atendente da loja, tive que esperar dez minutos antes de degustar meu Paris-Brest para ele ficar na temperatura perfeita o que significou ficar perambulando com meu triangulo pink pelas ruas.
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Place des Vosges, minha praça favorita, aonde se encontra um dos restaurantes preferidos do meu pai, o Ma Bourgogne, e algumas surpresas debaixo das arcadas, como o lindo Hotel de Sully.

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Tarte Infiniment Vanille, do grande Pierre Hermé. Um ‘tour de force’ em contrastes e texturas, usando três tipos de baunilha diferentes (Madagascar, Tahiti, e Mexico). Um pedacinho do paraíso e meu mais recente grande amor.

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Os dias de domingo podem ser tristes em Paris mas no Marais, as padarias e lojas de comida judaicas abrem com força total após o fechamento de praxe para o Shabbat.

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Le Musée Rodin

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E terminando a semana com um jantar delicioso na casa dos primos aonde os melhores melões da estação perfumavam toda a casa e os queijos incríveis incluíam um delicioso Brie de Melun, (que prefiro ao mais conhecido Brie de Meaux), e um Saint Felicien perfeito. No dia seguinte era hora de rumar a Aix-les-Bains, minha cidade natal e lugar aonde vivi alguns dos momentos mais felizes da minha infância.

3 de fevereiro de 2011

  • Confesso que me senti um tantinho culpada de sair de férias na calada da noite sem nem mesmo deixar um aviso por aqui. Mas a culpa foi inversamente proporcional a minha felicidade quando lá cheguei: Que lugar lindo!

 

  • Los Roques é provavelmente um dos lugares mais bonitos que já fui. Com uma estrutura de atol, Los Roques é hoje um Parque Nacional formado por duas barreiras de coral externas e uma lagoa central com 400 km². Los Roques é um paraíso de bancos de areia branca, piscinas naturais e recifes com águas de um azul impressionante. As águas parecem ser tingidas com anilina. São milhares de tonalidades de azul e verde, com uma claridade impressionante, exacerbadas pelo branco das areias e o sol que não arreda pé.  

  • Alem da paisagem, Los Roques também é habitada por 280 tipos de peixe, 140 tipos de moluscos e 200 tipos de crustáceos (e 4 tipos de tartarugas em extinção que podemos ver nadando nas piscinas naturais). Um prato cheio para quem gosta de comer bem (alem claro, de uma incrível plataforma de mergulho e snorkeling)! E como se come bem! Por que Los Roques foi “colonizada” por italianos há 30 anos, existe toda uma tradição gastronômica com peixes frescos, massas perfeitas, pães artesanais, primi piatti, doppi piatti, etc.
  • E para completar minha felicidade, de 1º de novembro até 30 de abril é a temporada das lagostas. Servidas grelhadas na beira do mar, direto da “gaiola” ou na pousada, elas fizeram minha alegria. Assim como os botutos, molusco que eu não conhecia (dê uma olhada na serie de fotos junto com as lagostas).  Com um gosto que lembra a carne do nosso coco, e uma textura levemente crocante, esse molusco foi uma grata surpresa: foi-nos servido fresco, preparado em ceviche ainda no barco.  Um luxo só.
  • Também adorei conhecer as arepas, uma panqueca de farinha de milho servida quente no café da manha, com queijo e/ou presunto (que eu acompanhava de um perfeito cappuccino italiano) assim como as nêsperas venezuelanas que nada parecem com as nossas mas são igualmente deliciosas.
  • E pela primeira vez, levei dois livros para ler e não avancei mais do que cinco paginas. O prazer na contemplação da paisagem, nos passeios pelas ilhas, nos mergulhos nas águas transparentes, o sol intenso que provoca aquele cansaço delicioso, as bruschettas no final do dia, o copo de vinho branco gelado necessário para acompanhar dita bruschetta, me deixaram totalmente apaixonada. Mas como diz meu pai, que bom que durou só uma semana, assim agente tem mais uma desculpa para voltar!

6 de fevereiro de 2010

  • Nada como duas semanas de férias para recarregar as energias! E foram duas semanas maravilhosas com meus filhotes e amigos do coração em Nova Iorque! Já no primeiro dia fizemos uma refeição rápida no Cipriani (110 East 42dn Street): sanduiches, pratos leves, saladas e ingredientes de primeira qualidade. Esse Cipriani (muito freqüentado por italianos, sempre um ótimo sinal!) fica do lado da sua famosa sala de festa, portanto se você passar por ali, dê uma espiada no salão que é lindo! Fui também tomar um café no Cipriani Dolci da Grand Central: este fica no mezanino da estação, com o uma visão privilegiada do incessante movimento dos passageiros e do lindo teto pintado. Perfeito para um copo de vinho do Porto no final da tarde se você estiver na área. Também na Grand Central, vale a pena uma visita ao Grand Central Market: um lindo mercado que oferece um pouco de tudo: queijos, chocolates, peixes, etc.
  • Alias, foi também em Midtown, saindo de uma visita a ONU, que encontrei o Amish Market, pequeno supermercado gourmet imperdível para qualquer um que goste de comida. A seleção é incrível e o local, um charme. Almoçamos no Café do Amish Market: sanduiches feitos na hora, sopas e saladas, e de sobremesa uma barra de aveia com framboesas e chocolates (branco e preto) simplesmente deliciosa!  Continuando com minha saga supermercados- um dos meus programas preferidos quando estou viajando- não consigo fazer uma visita aos USA sem passar pelo sempre excelente Wholefoods, mas dessa vez fui também ao Fairway e ao Citarella. O primeiro é um supermercado grande com uma extensa variedade de produtos locais e importados a um preço mais acessível. Já o segundo é uma linda casa de produtos mais exclusivos, com uma excelente padaria, pâtisserie, açougue e ótima oferta de comidas prontas.  
  • Mas me disseram que a vida não é só feita de comida então fui conhecer o ótimo New Museum no Lower East. Depois, vagamos por algumas das excelentes lojas de roupas vintage e não tão vintage do Lower East, e fomos almoçar num simpático restaurante italiano, o Inoteca.  Polenta deliciosa, sanduiche de porchetta dos deuses (servido com uma geléia acidulada- perfeita combinação) e um bom copo de vinho numa tarde fria (bem fria!!) de inverno… Alias, venho por meio desta publicamente agradecer a paciência do meu rebento menor que fez cara de contente quase o tempo todo que estávamos perambulando pelas ruas e lojas! Para agradecer sua paciência, levei-o a Economy Candy. Mal sabia ele que quem estava perdida era eu… Uma loja totalmente dedicada às balas e, como eu as chamo aqui em casa, as porcarias!! Pois é, pode não parecer mas eu sou muito chegada a uma bala. Sobretudo as balas duras de frutas e as bem, mas bem, amargas.  Fiz grandes descobertas e sai com um saco enorme de coisinhas maravilhosas!!
  • E quando eu já não acreditava que as coisas poderiam melhorar, acabamos o dia na Doughnut Plant para comer o que é, de fato, o melhor doughnut de NY.  Esqueça tudo que você sabe sobre doughnut e comece tudo de novo aqui nessa lojinha. Com uma antiga receita do seu avo, Mark começou a Doughnut Plant há 10 anos e até hoje tem fila na porta (alem da sua loja, Mark fornece para lugares como o Dean & Deluca por exemplo). Com ingredientes de época (não tem framboesa em janeiro por exemplo) e produtores locais escolhidos a dedo (Mark usa o Farmer’s market) esses bolinhos freqüentemente encharcados de óleo e açúcar, tomam uma nova dimensão.  Acho que provei todos os tipos disponíveis na hora e não consigo decidir qual o melhor … Mark nos deu também uma xícara de um delicioso chá indiano, cheio de especiarias, que casou muito bem com o doughnut .
  • Num domingo frio e ensolarado, fomos ver a linda instalação de um dos meus artistas preferidos, o Anish Kapoor no Guggenheim e depois seguimos para mais um impecável brunch no Sarabeth.  Sempre uma excelente pedida, nos fartamos de impecaveis ovos benedictine, pancakes, omeletes etc. para terminar à tarde com mais uma visita aos dinossauros do Natural History .
  • Mas voltando ao nosso assunto preferido, meus queridos amigos me levaram conhecer o A Voce em Columbus Circle, ótimo restaurante italiano pilotado pela Missy Robins. Cheio de bossa e com uma linda sala com vista incrível sobre Columbus Circle, mais uma excelente noite com boa comida e excelente companhia. Fomos também a Casa Mono, pequeno restaurante espanhol onde comi uma massa (fideos) com clams (pequeno e delicioso molusco) e chorizo divina. Antes do jantar, paramos no Bar Jamon, colado ao restaurante, para um copo de vinho e excelentes tapas.
  • No meio da correria nova-iorquina, encontramos um dia para ir conhecer a Fundação DIA Beacon, que fica à uma hora de trem de Manhattan numa linda viagem ao longo do Hudson River. Não estava preparada por tanto encantamento. O DIA Beacon foi elaborado dentro de uma antiga fabrica de biscoitos da Nabisco (daí tanta empatia??) e desde 2003 mostra trabalhos dos mais importantes artistas contemporâneos assim como exposições temporárias (a do momento é do Sol Lewitt e é de tirar o fôlego!).  E como saideira, levei os kids ao sempre charmoso Serendipity para um FootLong Hot Dog e um indecente Frozen Hot Chocolate!

15 de novembro de 2008

Não sei bem como deixei passar tanto tempo ser ter ido conhecer Belém do Pará e a Ilha da Mexiana. Meus filhos já tinham tido esse privilegio (mais de uma vez inclusive) mas a mim, essa honra só coube agora.

Chegando a Belém do Pará fomos direto para o barco que nos levou à Mexiana. Foi uma viagem de 20 horas, 20 deliciosas horas em que só havia a imensidão do rio Amazonas. À noite, só o céu e as estrelas. No jantar, já começamos com os peixes da região: pirarucu grelhado in loco com um molho de pimenta de cheiro e caranguejo com farofa, servidos com um copo de vinho, o balanço das águas e excelente companhia.

Já na Mexiana, descobri e me apaixonei pelo Filhote, peixe de carne tenra e delicada, que depois de adulto vira o Piraíba, e não é mais apto a ser comido. Isso tudo acompanhado da deliciosa farofa…. Na sobremesa, o indiscutível açaí (puro e sem nada acrescido, muito diferente - e melhor!!- desse que é oferecido aqui no Rio de Janeiro) com tapioca. As frutas são um caso à parte. Acho que minha preferida é o taperebá, mas um copo de suco de cupuaçu gelado também é uma delicia. E não vou nem começar a falar da castanha do Pará, porque visto sua importância na minha cozinha, ela merece um post aparte.  Alias falando em cupuaçu (que foi o suco favorito dos meus amigos espanhóis), essa viagem também foi um privilegio para mim pois tive a oportunidade única de passar esses dias na Ilha da Mexiana com dois dos maiores chefes da Espanha: Juan Mari Arzak e Ferran Adrià, e suas famílias.  Que experiência única foi descobrir essa região tão importante para  nossos amigos, a familia Rebelo, e para minha família , junto com eles. 

Um dos pontos altos da viagem foi a pesca ao pirarucu , maior predador da região. Depois de pescado por nós (vocês vão me acreditar se eu contar que num dos passeios um pirarucu imenso - 15 a 20 quilos- pulou dentro do barco no colo do Ferran???) foi servido de varias formas: assado, grelhado, frito, mas acho que o meu preferido foi o sashimi de pirarucu, carinhosamente preparado pelo Luiz. Chefe Arzak se encantou com as escamas secas do Pirarucu, que já são inclusive usadas no Petrossian de Paris para comer caviar (muito chique não??). Disse-me que vai levar pro restaurante dele para ser usado no serviço dos aperitivos.

Nos fartamos de comer também os sorvetes da lendária Cairu, de Belem do Pará. Tenho que confessar que não sou uma amante incondicional de sorvetes mas o sorvete de castanha do Pará da Cairu é de tirar meu sono. Menção honrosa também para os sorvetes de taperebá, o de tapioca e o abricó. Fiquei momentaneamente desapontada quando, voltando para ao Rio, fui comprar sorvete na loja da Cairu do aeroporto para trazer para casa e não havia mais o de castanha. Aceitei a sugestão da vendedora da loja para provar o caribó muito a contragosto (sou canceriana, não gosto nada nada de mudanças…) e -surpresa ! , é quase tão delicioso quanto o meu favorito pois é de castanha do Pará com taperebá.

 Em Belém, o mercado Ver-O-Peso é apenas uma amostra do universo da cultura paraense. Ali se encontram frutas, legumes, carnes, peixes, artigos regionais, roupas e bijuterias assim como mandingas, encantarias e remédios para todos os males. Uma mistura de cores, cheiros e sabores que mostra um pouquinho dessa cidade à beira da Baía do Guajará.

25 de outubro de 2008

Bem, queria primeiro me desculpar pelo sumiço. Tinha prometido postar durante a minha viagem, mas não consegui. Não vou nem tentar explicar porque minha frustração foi punição suficiente.

Começamos em Londres e logo no primeiro dia fomos tomar café da manha num lugar delicioso. O Ottolenghi é um desses lugares que me deixam sem ar. Não sabia pra onde olhar. Os restaurantes (são 4 na cidade) são todos brancos para a comida aparecer com toda sua força. São saladas e doces expostos como uma explosão de cores e perfumes, em cima de bancadas brancas, prontos para serem embalados e levados pra casa.

O forte do Ottolenghi é o “take away”, mas em todos os restaurantes há alguns lugares para sentar se a fome for grande demais! O maior restaurante, o da Upper Street serve um café da manha delicioso com pães feitos em casa (um dos pontos fortes da casa), geléias idem, perfeitos “cinnamon toasts” com creme fresco e frutas vermelhas, salmão defumado com um levíssimo creme azedo, enfim, tudo perfeito. Os doces são um caso a parte.Tive que fazer um enorme esforço para voltar lá (inserir aqui risos irônicos) e levar  alguns para experimentar e poder fotografar na calma do meu quarto, para vocês claro. Não podia fazer de outra forma, certo (mais risos irônicos aqui)?? Comprei também o livro que vou começar a explorar assim que humanamente possível.

No dia 13 tive o privilegio de participar da inauguração da exposição do artista brasileiro Cildo Meireles na TATE Modern. È a primeira retrospectiva de um artista brasileiro nessa importantíssima instituição e foi realmente uma noite linda. Que orgulho ver o catálogo do nosso Cildo ao lado do incrível Francis Bacon, cuja exposição brilha na TATE Britain.

E falando em arte, foi após ir passear na Wallace Collection que fomos almoçar no La Fromagerie (2-6 Moxon Street) uma casa super charmosa, cheia de bossa especializada em queijos, fornecedora inclusive dos melhores restaurantes da cidade. No fundo da loja tem um pequeno bistrô que serve um almoço caprichado. A sopa de alcachofras estava uma jóia.

Terminamos a semana em Londres com um jantar no Michael Moore, um pequeno e delicioso restaurante em Marylebone, onde comi um carneiro com creme de batatas e baunilha que estava, como diria meu pai, supimpa.

E como um passe de mágica, o Eurostar nos deixou bem no meio de Paris. 

Em Paris, as coisas ficaram ainda mais sérias. A lista de coisas a fazer, comer, beber, comprar era vergonhosa. Mas vou poupar vocês dos detalhes de como, por exemplo, atravessei a cidade para comprar a manteiga Bordier, que muitos consideram A MELHOR (na França, manteiga é um assunto seriíssimo!!). Essa manteiga é a escolhida para ser servida nas mesas de chefes como Joel Robuchon, Alain Passard e Alain Ducasse. Ela é tão especial (comprei no Da Rosa, mas ela é encontrada também no Marché St Germain e outras épiceries finas) que pode se comida com uma colher, mas acompanha claro, divinamente uma baguette tradition fresquinha). Outra manteiga preferida dos chefes é a La Viette (o Pierre Hermé é fã) que é servida no restaurante do Pierre Gagnaire, o GAYA (44 Rue du Bac), onde fomos jantar após visitar a exposição da Coleção Berardo que está pertinho no Musee du Luxembourg.  Alias, o amuse-bouche era um incrível romance entre a couve-flor e o atum, levíssimo, uma nuvem de creme. Um jantar impecável, com serviço jovem e atencioso, e peixes e coquilles Saint-Jacques regados a um delicioso Sancerre. Que noite.

Atravessando o jardim do Luxembourg numa linda tarde de outono parisiense, indo comprar o pirulito de chocolate com caramelo de manteiga salgada do chocolatier Jean-Paul Hévin (3, rue Vavin), lembrei de vocês e resolvi fazer mais um esforço (risos irônicos aqui de novo) e parar no Pierre Hermé da Rue Bonaparte (nº 72) para provar sua ultima inspiração: sobremesas com wasabi (o tempero em pasta, verde,bem apimentado, muito usada na culinária japonesa). Escolhi os macarons, e não me arrependi. Foi sentada num banco do jardim, vendo as crianças brincando ao sair da escola que mais uma vez vi a genialidade do chefe. O wasabi é um perfume, doce, distante, mas surpreendentemente presente. No meio do macaron, um pequeno pedaço de gelée de pamplemousse. Nada a dizer, senão, comme d’habitude parfait .

Também não podia deixar de passar na G. Detou (58 Rue Tiquetonne) e na IZRAEL (30, Rue François Miron), que são um mundo de especiarias, condimentos incríveis, azeites, vinagres, frutas secas (pistaches maravilhosos), chocolates em todas as concentrações imagináveis etc.. Dessa vez descobri que nas boas essências puras de baunilha, pode haver concentração da fava: comprei a de 400 Gm de baunilha por litro, a outra opção era 200 Gr/litro. O preço é bem salgado, mas por outro lado, o produto é super concentrado e só requer uma pequena quantidade. No dia anterior  a nossa volta, fomos almoçar no Racines (8, Passage des Panoramas), restaurante pequeno e informal do Pierre Jancou. Ali ele serve uma cozinha com produtos de primeiríssima qualidade (legumes e verduras vêm do potager do Alain Passard, chefe do exclusivo L’Arpege). Sua cave é conhecida por seus vinhos “orgânicos” (basicamente, sem SO2). Tomamos um delicioso Vitriol. Na minha entrada de coquilles Saint-Jacques, havia uma finíssima fatia de lardo de Colonnata, um bacon da Toscana, marinado por 6 a 8 meses em especiarias, realmente maravilhoso. Esse bacon também é servido em pequenas tábuas como aperitivo. As fatias são cortadas em uma maquina que as deixa finas como folhas de papel, assim só se tem o perfume do bacon.  Atençao a torta de maçã com creme de amendoas na sobremesa: a massa folhada estava absolument delicieuse. As fotos não fazem jus ao local nem a comida: estava com a lente da maquina errada o que me atrapalhou durante toda a viagem.

Bem, minha saideira foi uma ultima religieuse au café, minha sobremesa preferida. Confesso que troco qualquer coisa por uma dessas: começo tirando o choux de cima, aí como os pedacinhos de creme de manteiga que enfeitam o seu contorno, e por fim o choux grande, cheio de recheio de café… Minha Madeleine…

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