simplesmente delícia

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25 de janeiro de 2009

O livro de Sheila M. Hue, Delícias do Descobrimento, da Editora ZAHAR,  enfoca a historia do Brasil pelo viés da culinária, utilizando-se dos textos de missionários, senhores de engenho, aventureiros e viajantes para fazer uma leitura da gastronomia brasileira do século XVI.

Alem de se entender, por exemplo, como nossas mangas, jacas e bananas vieram de fato de outros horizontes, ou como os coqueiros das praias do Nordeste são de fato provenientes de outras “praias” (a origem exata é controvérsia mas é muito provavelmente do sudeste asiático), vemos também que nossas exportações foram inúmeras, como por exemplo o mamão. Este, que muitos creditam ter vindo de outros continentes, é de fato nativo da America, levado pelos Portugueses para a África e para a Índia, de onde se espalhou para o Oriente tornando-se praticamente nativo e ingrediente básico da culinária local.

A mandioca, personagem épico da alimentação brasileira, mereceria praticamente um capitulo a parte. A autora se esmera em não somente explicar a historia por traz do seu cultivo (há 5000 anos foi domesticada pelos índios) mas também explica como foi imediatamente exportada e já em 1575 era o principal alimento de Angola. Os navegadores e viajantes também se deliciavam com nossa mandioca: o inglês Richard Hawkins que por aqui passou em 1593 conta em manuscritos como sua frota se alimentou de beijus e farinha de mandioca durante a viagem marítima para o estreito de Magalhães depois de ter se abastecido nas costas brasileiras. O petisco favorito era beiju frito na banha de porco e salpicado com canela! E foi o aporte europeu do açúcar (que os índios tinham aversão) junto com as farinhas brasileiras nativas, que deu origem as primeiras sobremesas como bolo de aipim feito com a carimã (a mais fina farinha de mandioca).

O livro é um mundo de curiosidades: que delicia entender que o maracujá que eu adoro, detém seu nome fruit-de-la-passion em Frances, passion fruit em inglês , de missionários europeus que viram uma simbologia da paixão de Cristo. O coroa floral representava a coroa d espinhos, os 3 estigmas da flor simbolizavam os 3 cravos que prenderam Cristo na cruz, e as 5 antenas florais, as 5 chagas de Cristo; as gavinhas eram os chicotes com que o açoitaram e o fruto redondo representava o mundo que o Cristo veio salvar.  

Coisas mais “sérias” são também discutidas mas o mais importante para mim foi entender como as trocas se davam entre os continentes nos séculos seguindo o descobrimento das Américas, e como a vida culinária evoluiu no Brasil. Do paladar dos índios , passando pela introdução aqui das especiarias como o gengibre e o açúcar, ate a importância do pão (provavelmente vinda da fundamental importância da mandioca) na culinária do Brasil. Um livro para guardar e estudar sempre.

         Farinhas de mandioca no Mercado Ver-O-Peso emBelem do Para

23 de setembro de 2008

Aproveitei o mau tempo aqui no Rio esse final de semana para ler o livro do Joe Schwarcz, Uma maçã por Dia.

 Qualquer um preocupado com nutrição e com a qualidade do quê ingere todos os dias vai querer ler este livro. O livro esclarece uma serie de mitos e duvidas sobre alimentos, substancias adicionadas a alimentos e formas de preparo. Schwarcz, que é Doutor em química e professor de nutrição na McGill University de Montreal, Canadá, aborda de forma descontraída e divertida assuntos relacionados à nossa dieta, falando com humor e ironia dos dilemas da sociedade atual com a alimentação. Ele ajuda a ver um pouquinho de verdade no meio de uma grande quantidade de ficção, como por exemplo, a falta completa de link entre o aspartame e o câncer, a realidade sobre os Omega-3, ou os benefícios reais da soja.

Segundo Schwarcz, de 30 a 40% dos casos de câncer e doenças do coração podem ser prevenidos com a mudança de hábitos de vida. Isso já faz de Uma Maçã por Dia, leitura obrigatória para quem está prestando atenção! E como boa aluna, comprei hoje meu primeiro pote de farinha de linhaça dourada e estou começando a pensar seriamente em adotar o mingau de aveia no café da amanhã !

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