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É difícil imaginar minha cozinha sem meus condimentos e especiarias preferidos. Eles tornam tudo um pouco mais divertido, nos ajudam a sair da monotonia dos temperos básicos e nos abrem portas para mundos pouco visitados. Não sei o que seria de mim sem meu gengibre, ou meu chutney preferido (meu reino por meu chutney de limão!) uma bela mostarda francesa ou um excelente curry. Assim, quando a ZAHAR me mandou uma copia do livro Ervas, Temperos e Condimentos do Tom Stobart (coordenação de Rosa Nepomuceno) foi com ainda mais carinho que ataquei a leitura deste.

E vou dizer, o livro é ainda melhor do que eu esperava. Cada nome vem seguido da sua tradução em 6 idiomas alem do nome cientifico; pode parecer bobagem mas quando compro sementes de kümmel para fazer minha querida salada de tâmaras, não sabia que estava comprando na realidade alcaravia (em português). O texto explicativo inclui alem de descrição de origem, sugestões de uso e anedotas sobre a historia do tempero na culinária, na medicina e na “magia”! Adorei saber mais sobre as diferenças entre as diferentes pimentas, por exemplo: Sempre me perco com todos os tipos de pimentas vermelhas!!
O mais gostoso desse livro é que alem de ser uma excelente enciclopédia e referencia para qualquer pessoa que goste de cozinhar (mas tambem para biologos e jardineiros em potencial!), ele também é uma ótima leitura. O texto é informal e bem escrito, cheio de anedotas divertidas e fatos interessantes! Realmente um prazer de ler!
Como tenho recebido vários livros para ler e postar receitas no blog, aqui estão algumas considerações.


O Michael Ruhlman tem em minha opinião um dos blogs de culinária mais interessantes da blogosfera, e agora a ZAHAR acaba de lançar o Elementos da Culinária de A a Z, que eu ainda não tinha lido. Foi uma bela surpresa.
O livro é dividido em duas partes: a primeira parte aborda 8 tópicos que Ruhlman considera fundamentais para todos os amantes da boa cozinha e potencias excelentes cozinheiros. São eles: caldo, molho, sal, ovos, calor, utensílios, acervo bibliográfico, e finesse. Na segunda parte do livro, Ruhlman fala de mais de 800 verbetes oferecendo definições, traduzindo a linguagem da cozinha e tornando-a acessível para os leigos. São detalhes que fazem toda a diferença na hora de um cozinheiro amador passar de bom para excelente.
O capitulo sobre o sal foi fundamental para mim pois tenho que confessar que nunca havia dado muita importância a esse condimento. Ruhlman explica não somente a importância do sal no paladar mas também a vital necessidade de se salgar o alimento na hora certa. Gostei muito também da parte dos utensílios, quando Ruhlman mostra mais uma vez sua inteligência na cozinha explicando a inutilidade dos gadgets de cozinha que vimos tanto nas cozinhas atuais, e a necessidade de se usar material de qualidade: melhor investir em 2 panelas excelentes do que ter um jogo medíocre de 7 panelas de segunda.
O livro é também muito bem traduzido e passou por uma revisão técnica excelente. Esse livro é essencial para qualquer cozinheiro, amador ou não, que se importe verdadeiramente com que está fazendo e com o que esta comendo. Elementos da Culinária tem lugar em todas as cozinhas.
Outra Boa Idéia: Uma Maçã Por Dia

O livro de Sheila M. Hue, Delícias do Descobrimento, da Editora ZAHAR, enfoca a historia do Brasil pelo viés da culinária, utilizando-se dos textos de missionários, senhores de engenho, aventureiros e viajantes para fazer uma leitura da gastronomia brasileira do século XVI.
Alem de se entender, por exemplo, como nossas mangas, jacas e bananas vieram de fato de outros horizontes, ou como os coqueiros das praias do Nordeste são de fato provenientes de outras “praias” (a origem exata é controvérsia mas é muito provavelmente do sudeste asiático), vemos também que nossas exportações foram inúmeras, como por exemplo o mamão. Este, que muitos creditam ter vindo de outros continentes, é de fato nativo da America, levado pelos Portugueses para a África e para a Índia, de onde se espalhou para o Oriente tornando-se praticamente nativo e ingrediente básico da culinária local.
A mandioca, personagem épico da alimentação brasileira, mereceria praticamente um capitulo a parte. A autora se esmera em não somente explicar a historia por traz do seu cultivo (há 5000 anos foi domesticada pelos índios) mas também explica como foi imediatamente exportada e já em 1575 era o principal alimento de Angola. Os navegadores e viajantes também se deliciavam com nossa mandioca: o inglês Richard Hawkins que por aqui passou em 1593 conta em manuscritos como sua frota se alimentou de beijus e farinha de mandioca durante a viagem marítima para o estreito de Magalhães depois de ter se abastecido nas costas brasileiras. O petisco favorito era beiju frito na banha de porco e salpicado com canela! E foi o aporte europeu do açúcar (que os índios tinham aversão) junto com as farinhas brasileiras nativas, que deu origem as primeiras sobremesas como bolo de aipim feito com a carimã (a mais fina farinha de mandioca).
O livro é um mundo de curiosidades: que delicia entender que o maracujá que eu adoro, detém seu nome fruit-de-la-passion em Frances, passion fruit em inglês , de missionários europeus que viram uma simbologia da paixão de Cristo. O coroa floral representava a coroa d espinhos, os 3 estigmas da flor simbolizavam os 3 cravos que prenderam Cristo na cruz, e as 5 antenas florais, as 5 chagas de Cristo; as gavinhas eram os chicotes com que o açoitaram e o fruto redondo representava o mundo que o Cristo veio salvar.
Coisas mais “sérias” são também discutidas mas o mais importante para mim foi entender como as trocas se davam entre os continentes nos séculos seguindo o descobrimento das Américas, e como a vida culinária evoluiu no Brasil. Do paladar dos índios , passando pela introdução aqui das especiarias como o gengibre e o açúcar, ate a importância do pão (provavelmente vinda da fundamental importância da mandioca) na culinária do Brasil. Um livro para guardar e estudar sempre.

Farinhas de mandioca no Mercado Ver-O-Peso emBelem do Para
Aproveitei o mau tempo aqui no Rio esse final de semana para ler o livro do Joe Schwarcz, Uma maçã por Dia.

Qualquer um preocupado com nutrição e com a qualidade do quê ingere todos os dias vai querer ler este livro. O livro esclarece uma serie de mitos e duvidas sobre alimentos, substancias adicionadas a alimentos e formas de preparo. Schwarcz, que é Doutor em química e professor de nutrição na McGill University de Montreal, Canadá, aborda de forma descontraída e divertida assuntos relacionados à nossa dieta, falando com humor e ironia dos dilemas da sociedade atual com a alimentação. Ele ajuda a ver um pouquinho de verdade no meio de uma grande quantidade de ficção, como por exemplo, a falta completa de link entre o aspartame e o câncer, a realidade sobre os Omega-3, ou os benefícios reais da soja.
Segundo Schwarcz, de 30 a 40% dos casos de câncer e doenças do coração podem ser prevenidos com a mudança de hábitos de vida. Isso já faz de Uma Maçã por Dia, leitura obrigatória para quem está prestando atenção! E como boa aluna, comprei hoje meu primeiro pote de farinha de linhaça dourada e estou começando a pensar seriamente em adotar o mingau de aveia no café da amanhã !
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